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Rui Patrício, Piccini, Mathieu, Fábio Coentrão, William Carvalho, Gelson Martins, Bryan Ruiz e Bas Dost foram oito dos 11 jogadores do Sporting que enfrentaram o Benfica em Maio, empatando sem golos no José Alvalade.

Como teria dormido Jorge Jesus na véspera desse encontro importante, em que estava em jogo o segundo lugar na Liga e a possibilidade de acesso à Champions League, se estivesse privado de utilizá-los?

Por esta amostra dá para perceber a altura da montanha que José Peseiro está a escalar. Muitos adeptos criticam que, em particular no final dos jogos, a atitude seja de equipa pequena. Mais um trinco para segurar a vitória tangencial sobre o Vitória, mais um defesa para agarrar o empate na Luz - mas o realismo do treinador é uma das suas virtudes, nesta fase.

Em particular no sector defensivo, o Sporting apresentou-se na Luz extremamente depauperado, mantendo apenas Coates: do guarda-redes ao médio defensivo, todos os recursos à disposição do treinador são de nível inferior e, nalguns casos, até muito inferior ao dos tempos de Jorge Jesus.

Por isso, é tão importante este empate para a continuação do meticuloso trabalho laboratorial de José Peseiro, na busca de um antídoto contra tudo o que muitos adeptos do clube pensam dele, desde 2005, e que se resume na fórmula P+0 (pê zero), uma espécie de vírus do pé frio que se traduz na incapacidade de alcançar triunfos em situações favoráveis. 

Nada garante que o panorama ainda possa melhorar, mas é já certo que no dia 9 de Setembro o treinador ribatejano vai entregar aos novos dirigentes uma equipa muito mais forte do que aquela que encontrou. Sem exibicionismo nem golpes de mestria e, sobretudo, por um preço de saldo.

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O que têm em comum Sousa Cintra, José Peseiro, Fernando Ferreira e Manuel Fernandes?

Sousa Cintra foi presidente do Sporting entre 1989 e 1995 num consulado de altos e baixos, muitas esperanças frustradas e acabou saindo do clube com aparente alívio da maioria dos associados, que decidiram trocar o regime de presidente mecenas pelo profissionalismo das sociedades desportivas, alegadamente numa cisão irreversível com o passado.

José Peseiro foi o primeiro treinador depois da construção do novo estádio Alvalade XXI e ficou perto de conquistar um título nacional e uma Taça UEFA, demasiado perto, aliás, de duas conquistas que teriam mudado a história do Sporting e saiu pouco depois sem deixar saudades.

Fernando Ferreira foi despedido de responsável clínico em 2001, ao fim de 16 anos no clube, manteve uma disputa judicial durante mais alguns e acabou por chegar a acordo em 2005, recusando a reintegração que era devida.

Manuel Fernandes foi uma das maiores glórias do futebol leonino, um capitão, um símbolo, mas talvez o profissional que mais vezes saiu e entrou de um clube, durante mais de 30 anos, desde o final de carreira no Vitória de Setúbal, a várias experiências como treinador-adjunto, treinador, dirigente, coordenador, relações públicas, secretário-técnico, etc.

Sousa Cintra presidente da SAD, José Peseiro treinador e Fernando Ferreira médico formavam a equipa de três mosqueteiros em defesa do Rei Leão, aos quais se juntou hoje Manuel Fernandes como director, para que os três homens-chave do futebol do Sporting sejam, afinal, quatro - como na história de Dumas.

Quatro figuras com um histórico no clube que não se pensava poder repetir-se, não apenas pela forma atribulada com que todos sairam da cena leonina, como pelos anos que entretanto passaram afastados (menos no caso de Fernandes) e pelo princípio de rejuvenescimento que caracteriza os ciclos de renovação dos clubes desportivos.

Trata-se de uma situação transitória até às próximas eleições e tudo indica que todos eles têm os cargos a prazo e que dificilmente resistirão à entrada de uma nova vaga directiva. Só por isso se pode entender esta opção por soluções ultrapassadas e com o futuro ameaçado, completamente à mercê dos resultados da equipa de futebol durante o mês de Agosto, faltando conhecer o grau de comprometimento contratual do clube com estes profissionais (Sousa Cintra à parte).

Não seria fácil encontrar outras soluções, pois poucos profissionais aceitariam cargos interinos durante tão pouco tempo, excepto num quadro de missão e de fervor clubista em que, aparentemente, estes quatro homens se encontram até às eleições de 8 de Setembro.

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Bruno de Carvalho deixou de ser presidente do Sporting, mas continuamos a ter o presidente do Sporting todos os dias nas televisões. Como se o clube tivesse um compromisso com os directores de conteúdos, apesar de a situação especial, em que Sousa Cintra e os outros membros da Comissão de Gestão se encontram, recomendar o máximo recato.

Conhecendo o perfil pessoal do velho empresário não surpreende a imagem de deslumbramento que passa, falando como se estivesse para ser presidente do Sporting durante muitos e bons anos, até ser campeão. Seria mais lógico e prático que os gestores leoninos cumprissem a sua missão o mais possível à margem dos media, mas para isso teriam de ter escolhido outra pessoa para liderar a SAD. E, claro, não seria a mesma coisa.

Há muitos sportinguistas que mostram incómodo perante esta situação, mas dificilmente as coisas podiam correr de outro modo. Nos últimos meses, criou-se uma dinâmica interna e externa de exposição total, por culpa de uma política de comunicação destrambelhada, deixando o clube tão vulnerável que qualquer pequeno movimento de alguma das suas figuras, dirigentes, ex-dirigentes, candidatos, treinadores, atletas, seja quem for, gera reacções que podem chegar ao abalo telúrico.

A escolha do treinador José Peseiro é um desses momentos. Talvez a aposta interina em Augusto Inácio até às eleições de 8 de Setembro fosse mais consensual, mas não deixaria de constituir um adiamento de uma deliberação fundamental. Foi até agora a decisão mais importante de Sousa Cintra, transmitindo um sinal de poder e força, condicionando até os futuros candidatos, sem medo de se sujeitar aos resultados.

A vontade de inverter a situação dos jogadores em ruptura contratual é outro. Muitos mais adeptos do que o último resíduo de apoiantes de Bruno de Carvalho alimentaram um sentimento de aversão aos atletas, desde a invasão de Alcochete, considerando-os traidores à causa leonina. Esta é outra opção de risco de Sousa Cintra, nada popular, mas com o mesmo fundamento de tentar resolver uma pendência com o mínimo de danos, em vez de deixar arrastar as situações.

Finalmente, o recurso ao agente Jorge Mendes, o terceiro vector chocante da acção de Sousa Cintra, colocando-se ao lado de quem o Sporting não conseguiria derrotar. Experiente negociante, ele sabe que é melhor ter alguém poderoso ao seu lado numa hora tão complicada, em que nada garante que o clube poderia vencer a guerra com os jogadores.

E, assim, perante processos tão complexos e decisões tão controversas, se entende melhor a estratégia instintiva de comunicação transparente de Sousa Cintra.

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