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Se Éber Bessa fosse jogador de um grande, estaríamos hoje a discutir acaloradamente por que razão ele é, de longe, quem sofre mais faltas no campeonato português e não se queixa nem insulta a inteligência de ninguém. Estou solidário com o n.º 10 brasileiro do Vitória e aos outros digo o mesmo que as claques quando estão chateadas com a qualidade do futebol: “joguem à bola, artistas, joguem à bola!”.

O Benfica começou por se queixar da pressão sobre Rafa no jogo com o Belenenses e, agora, o Sporting revolta-se contra um número mal determinado de infracções sobre Bruno Fernandes no Bessa. Num caso, foi um aviso à navegação que acabou por redundar num abrandamento de forma do internacional benfiquista, neste último, é mais uma justificação para o mau futebol e para a crise de resultados que retém o Sporting na classificação.

Os jogadores mais influentes (e, sobretudo, os das equipas melhores) sempre foram os mais castigados. Deve ter sido também por isso que o bom do Éber Bessa, até na inócua deslocação do Vitória ao Dragão, sofreu três faltas.

Comparar as estatísticas de apenas cinco jornadas e descobrir nelas um padrão de desvio significativo é exercício tonto para quem nunca lidou com números e anda à procura de justificações como uma avestruz na areia da savana. Não existe acumulada suficiente matéria de campo, o que gera diversos factores desviantes.

Mas as tendências apontam para a grande pressão dos jogadores de meio-campo do Benfica, que cometem 75% das faltas da equipa e para os fenómenos de aflição defensiva do Porto e do Sporting em alguns jogos, de que resulta uma evidente maioria de faltas cometidas no sector recuado do campo, conduzindo até a invulgares expulsões em acções extremas (Coates e Telles).

Surgiu entre os porta-vozes dos clubes nas televisões a informação de que é muito mais difícil mostrar um cartão amarelo a jogadores do Benfica do que aos seus homólogos. Certo. Mas como justificar que Pepe não tenha visto qualquer cartão em seis faltas e Marcano tenha dois amarelos em apenas cinco faltas? Como explicar que Bruno Fernandes, Baró e Pizzi estejam entre os jogadores mais faltosos da equipa respectiva (8 faltas cada um) e que só o capitão do Sporting já tenha sido advertido? Basta rever os lances, a reduzida agressividade do contacto, o local da falta e o enquadramento táctico para perceber os motivos da condescendência para com estes jogadores.

Nesta altura da competição conta mais a incidência particular do que o número global, com distorções pontuais que não permitem analisar correctamente a globalidade. Por exemplo, o guarda-redes do Porto já viu dois cartões amarelos por anti-jogo e isso influencia drasticamente uma análise geral à equipa, com tão poucos dados acumulados.

Os defesas do Porto (Corona, Pepe, Marcano e Telles) somam 26 faltas para 4 amarelos e um vermelho. Os do Sporting (Thierry/Rosier, Coates, Mathieu e Acuna) fizeram 23 faltas e viram 5 amarelos e um vermelho. Os do Benfica (Tavares/Almeida, Dias, Ferro e Grimaldo) cometeram 14 e viram apenas um amarelo.

No ataque é tudo muito semelhante: Porto 21/3 (faltas/amarelos), Sporting 17/3, Benfica 17/2.

Mas no meio-campo, a pressão do Benfica pela rápida recuperação da bola, grande factor distintivo da equipa de Bruno Lage, gera um número de faltas anormal, gera um número de faltas anormal, bastante acima dos adversários: 41, contra 28 e 24, respectivamente.

E se considerarmos apenas os pontas-de-lança, essa tendência ainda é mais notória: De Tomas e Seferovic cometeram 15 infracções, contra apenas 9 de Marega e Zé Luis e 7 de Luiz Phellype e Vietto.

Isto apenas confirma o que se sabe da história do futebol, que as faltas no ataque são, em geral, menos penalizadas disciplinarmente, e acaba por desmistificar este alarme falso que surgiu depois dos jogos do fim-de-semana. As equipas que atacam mais cometem menos faltas a defender: nas primeiras 4 jornadas, o extremo defensivo do Benfica (Ruben Dias-Ferro) tinha cometido apenas uma, porque na maioria do tempo os médios e os laterais matam o jogo muito mais à frente, na chamada pressão adiantada. 

 

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Nas últimas 24 horas, esperei que os acusadores públicos do Benfica no chamado processo e-toupeira revelassem, nos respectivos meios de comunicação, as provas que apregoam conhecer, mas que o Tribunal da Relação não conseguiu apurar para levar a SAD do clube a julgamento. Não que tivesse dúvidas de que, ao fim de mais de um ano, elas não existiam, mas porque uma acusação de corrupção devia obrigar o acusador a ser mais seguro, documentado e sério, para lá das bocas cheias de “evidências” e “suspeitas”.

Com tantas buscas aos domicílios encarnados, admiti sempre que não seria difícil apurar provas dos alegados crimes, se as houvesse, pois tudo estaria documentado no tráfego informático apreendido e, diziam nas pantalhas, também no que tinha sido devassado por um pirata, entretanto detido.

Uma coisa é Paulo Gonçalves e Luis Filipe Vieira serem amigos e terem gabinetes no mesmo corredor do estádio da Luz, dois factos sem valor penal. Outra é terem agido como criminoso e mandante ou em associação criminosa - a “evidência” que ninguém consegue provar.

A SAD do Benfica voltou a ser ilibada, como já acontecera em Dezembro, para revolta das redes sociais, onde pulsam os patriotas impolutos e detentores da verdade desportiva, a casta dos portugueses sérios, os que jogam na outra equipa e perdem geralmente por causa do árbitro e da falta de justiça.

Neste processo da alegada violação do segredo de Justiça por um assessor da SAD encarnada, tive sempre a mesma convicção: dos 30 crimes em equação, 28, os da falsidade informática, seriam descartados à partida por não poderem ser cometidos por uma entidade abstracta como a SAD e terem de depender de um autor material, nunca identificado em qualquer fase do processo.

Sobravam dois crimes: o de corrupção activa, o mais difícil de provar em toda a história criminal, não tendo mais uma vez sido apurado nada relevante do ponto de vista penal; e o da obtenção de vantagem, que dependia do anterior e também seria impossível de provar, por não existir qualquer nexo entre uma ou dezenas de violações da rede informática do Ministério da Justiça e os resultados de uma equipa de futebol.

O Benfica sai manchado pela suspeita e pela péssima imagem do trabalho de Paulo Gonçalves, mas os adversários da Justiça foram arrasados por este processo, uma vitória do Direito.

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Hoje começa a Liga portuguesa e, não tivesse eu preocupações profissionais com o dia a dia do futebol, diria que não tinha dado por isso.

As redes da Liga Portugal divulgam um poster das camisolas à roda do patrocinador e perguntam qual é a preferida - estranha prioridade informativa. As primeiras páginas dos jornais, especializados e generalistas, ignoram totalmente ou apenas assinalam a agenda. O mercado e a vida de Bruno Fernandes estão por cima de tudo.

Quem se queixa de demasiado futebol na televisão, por exemplo, permanece indiferente e descansado pelo “low profile” deste assunto, a remeter apenas para o umbigo de cada clube.

Sim, o Benfica vai esgotar a Luz e pouco interessa o adversário.

Sim, os sportinguistas pensam na viagem à Madeira como se não houvesse amanhã.

Sim, o FC Porto está em transição europeia, com a cabeça nos incentivos orçamentais. Braga e Guimarães também.

Sim, “a arbitragem está muito melhor”, garantem antigos maldizentes dos órgãos federativos.

É o futebol de verão, amigável, europeu, da taça da liga (dizem-me que já começou) ou de campeonato, com jogos para a família, reencontros, confraternizações e “olas” na bancada.

A Liga começa esta noite com um palpitante Portimonense-Belenenses, sabia?

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