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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

Andam por aí umas bolachas de marca branca a que chamam Belgas que não passam de massa de ovos, farinha, manteiga, açúcar e uma pitada de baunilha, portanto, meio enganosas aos paladares que já tenham passado por alguma confeitaria de Antuérpia. Diz a publicidade que a última bolacha do pacote é tão boa que nos faz chorar por mais e desejar abrir um novo pacote e que o segredo da receita, em vez do chocolate belga, é o Amor de quem amassa os ingredientes. Devem ter sido mal (...)
Se Alex Ferguson fosse o “gestor” da selecção nacional, provavelmente Cristiano Ronaldo não seria “capitão”.  A escolha do líder da equipa em campo é uma das lições mais destacadas pelas recensões do livro “Liderança” (Actual Editora, 2016) que o antigo “Manager” do Manchester United escreveu e é considerado um tratado de gestão moderna: “para escolher um capitão, sempre me apeguei a quatro características básicas: vontade de liderar, fidelidade, respeito (...)
Antes da invenção do jornalismo de rabo sentado e pés de microfone pelos censores prévios das agências de comunicação, os repórteres tinham uma vida atribulada e aventureira à caça da informação, em que a sorte jogava um papel muito importante. Estar à hora e no sítio certos, com olhos e ouvidos bem abertos, fazia a diferença e influenciou a carreira de muitos jornalistas. A morte do grande goleador Roberto Dinamite remeteu-me hoje para um desses momentos inesperados, (...)
Se Descartes fosse treinador de futebol diria “ganho, logo, existo”, colidindo de frente com o diletante Jorge Valdano, “el Filósofo”, para quem o jogo é (apenas) uma “desculpa para sermos felizes”, explicação sumária para a sua curta carreira de técnico de alta competição. Arte ou resultado, bola ou esforço, êxtase ou sobrevivência, genética ou treino, ADN ou “Filosofia de jogo”?  É raro o dia que não ouvimos treinadores ou analistas avançarem decididos no (...)
Quando vi Enzo Fernandez de cabelo platinado nos festejos do título mundial, assaltou-me a sensação de que vinha aí muita tinta para escorrer nas lavagens mediáticas.  Convicto da relação direta entre o cabeleireiro e os palcos desportivos, entre o “look” e o comportamento das “pop stars” da bola, o instinto da experiência dizia-me que a “síndrome Rodman” tinha feito mais um refém.  A sério. Vivi o tempo dos “beatles” à George Best, dos ”hippies” à (...)
Vivemos ontem, com a distância e o desconto que nos habituámos a dar à excentricidade e fantasia das histórias arabescas, a primeira das 1001 aventuras de Al-Ronaldo ibn Bortuqal, o Sultão do país das laranjas, no grande califado Al-Saud. Tomemos a televisão e a internet como a Sheherazade da Arábia de hoje, onde as mulheres não são tão bem vistas como era a filha do vizir, para se encarregarem da difícil tarefa de manter viva a lenda do antigo grande jogador durante os (...)
No seu afã de originalidade, um então jovem jornalista desportivo apresentou uma vez uma fórmula táctica inovadora, incluindo um zero, para descrever o “espaço vazio” estratégico de uma das equipas, do tipo 4x3x(0)x3, observação que não foi muito apreciada pela chefia de redação conservadora, mas que pode ter sido, com avanço de mais de vinte anos, a primeira descrição do jogo de “entrelinhas” que enche a boca dos comentadores e analistas contemporâneos. “Linha" (...)
03 Jan, 2023

Bebés do ano

Estão a chegar os Magos da bola com seus tesouros dourados para colocar aos pés das manjedouras onde asnos e ruminantes se afadigam a aquecer os egos de Cris e Enzo, os bebés do ano. Guiados pela estrela que brilha quando nascem os eleitos, oferecem ouro, incenso e mirra. O ouro que distingue a estirpe da realeza, a casta da superioridade. O incenso que inebria os sentidos, afasta as melgas e produz a cortina de fumo que tolhe a visão do futuro. A mirra que atenua as dores e embalsama (...)
Através do francês “pivot” (ponta ou terminal de um eixo sobre o qual gira uma placa ou carga), vários desportos, como o Andebol, o Basquetebol ou o Futsal, definiram uma posição essencial ao jogo, destacando um elemento em torno do qual se movimenta o ataque da equipa. A estrutura dos outros jogadores roda em torno daquela base, como uma bússola gira em volta do seu pino. O “Larrouse” define-o como a base ou suporte, em torno da qual tudo se organiza, como o “pivot” de (...)
Há uma terminologia do futebol moderno que me remete sempre para Chico Buarque. Quando os jogadores estão na “primeira fase de construção” eu recordo e corrompo o verso inicial em “a(r)mou daquela vez, como se fosse a última”. Quando eles passam à fase de criação, que para mim continua a ser de “construção”, cantarolo “atravessou a rua com seu passo tímido, subiu a construção como se fosse máquina”. E finalmente quando chega à terceira fase, a da (...)