Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]





Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds



Nas últimas 24 horas, esperei que os acusadores públicos do Benfica no chamado processo e-toupeira revelassem, nos respectivos meios de comunicação, as provas que apregoam conhecer, mas que o Tribunal da Relação não conseguiu apurar para levar a SAD do clube a julgamento. Não que tivesse dúvidas de que, ao fim de mais de um ano, elas não existiam, mas porque uma acusação de corrupção devia obrigar o acusador a ser mais seguro, documentado e sério, para lá das bocas cheias de “evidências” e “suspeitas”.

Com tantas buscas aos domicílios encarnados, admiti sempre que não seria difícil apurar provas dos alegados crimes, se as houvesse, pois tudo estaria documentado no tráfego informático apreendido e, diziam nas pantalhas, também no que tinha sido devassado por um pirata, entretanto detido.

Uma coisa é Paulo Gonçalves e Luis Filipe Vieira serem amigos e terem gabinetes no mesmo corredor do estádio da Luz, dois factos sem valor penal. Outra é terem agido como criminoso e mandante ou em associação criminosa - a “evidência” que ninguém consegue provar.

A SAD do Benfica voltou a ser ilibada, como já acontecera em Dezembro, para revolta das redes sociais, onde pulsam os patriotas impolutos e detentores da verdade desportiva, a casta dos portugueses sérios, os que jogam na outra equipa e perdem geralmente por causa do árbitro e da falta de justiça.

Neste processo da alegada violação do segredo de Justiça por um assessor da SAD encarnada, tive sempre a mesma convicção: dos 30 crimes em equação, 28, os da falsidade informática, seriam descartados à partida por não poderem ser cometidos por uma entidade abstracta como a SAD e terem de depender de um autor material, nunca identificado em qualquer fase do processo.

Sobravam dois crimes: o de corrupção activa, o mais difícil de provar em toda a história criminal, não tendo mais uma vez sido apurado nada relevante do ponto de vista penal; e o da obtenção de vantagem, que dependia do anterior e também seria impossível de provar, por não existir qualquer nexo entre uma ou dezenas de violações da rede informática do Ministério da Justiça e os resultados de uma equipa de futebol.

O Benfica sai manchado pela suspeita e pela péssima imagem do trabalho de Paulo Gonçalves, mas os adversários da Justiça foram arrasados por este processo, uma vitória do Direito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bruno Fernandes completa amanhã apenas 25 anos e, compreensivelmente, a idade, relacionada com o preço elevado, não tem sido colocada como um possível factor da rejeição do grande mercado europeu. Mas pode ser, por incrível que pareça: o capitão do Sporting é um jovem para o futebol, mas já teria passado da idade para ser um investimento lucrativo.
Sobre este assunto, esta semana, a revista The Economist publicou um estudo sobre a contratação de jogadores sul-americanos pelos clubes europeus que aponta a mesma linha de comportamento do mercado: menos jogadores contratados e cada vez mais jovens e mais baratos, visando a segunda venda, como fazem há muito Benfica e FC Porto com enorme rendimento.
O calculismo dos decisores transporta-os para o possível lucro das transações seguintes e quanto mais velho for um jogador, menos possibilidades existem de vir a gerar mais-valias futuras. O que vai ler a seguir podia respeitar a tijolos ou batatas, mas é de homens e profissionais que se trata, no mundo-cão do futebol indústria.
Desde 2010, a média de idades dos jogadores mais caros dos mercados de verão desceu de mais de 25 anos para menos de 24. Pelo segundo ano consecutivo, o mais valioso do mercado foi um adolescente, João Félix a seguir a Mbappé. A diferença da avaliação de Félix justifica-se pela expectativa de valorização: aos 19 anos é plausível assinar um contrato de sete temporadas e ainda projectar uma valorização substancial durante esse período, ou pelo menos não perder dinheiro. Neymar e Pogba não tiveram compradores porque já não valem o que custaram aos clubes actuais, passaram da categoria de “investimento lucrativo” para a de “custo tóxico”.
Os brasileiros não entendem como o mercado europeu ignora Everton Cebolinha, o melhor jogador da Copa América, e prefere Martinelli, um jovem desconhecido do interior de São Paulo. Everton tem apenas 23 anos mas já custaria 50 milhões e é considerado de “alto risco”, Martinelli tem 18, veio para o Arsenal por sete milhões e é visto como uma “grande oportunidade”. Entre dois jogadores de capacidades desportivas teoricamente semelhantes, o gestor escolhe o mais jovem porque a experiência passou a valer menos, sendo mais dispendiosa, do que a novidade.
De todos os jogadores transacionados este ano acima dos 70 milhões desejados para Bruno Fernandes, apenas Griezman, Hazard e Maguire são mais velhos que o capitão do Sporting - sem dúvida justificado pelo alto nível internacional que atingiram e pela concorrência na procura. O francês seria o melhor avançado europeu, o belga é o melhor médio-ala e o inglês beneficiou de valor inflacionado pela saúde financeira da Premier League. Todos os outros (de Ligt, de Jong, Lucas Hernandez, Pepe, Rodri), são mais jovens e estão longe de terem atingido o máximo das suas capacidades desportivas.
A última vez que um português fora o mais caro do mercado, em 2009, Cristiano Ronaldo já tinha 24 anos, mas era o segundo mais jovem dessa elite, apenas superado por Benzema, então com 21.
A questão que tenho colocado há meses sobre as razões para Bruno Fernandes ainda permanecer no Sporting fixa-se neste ponto: não tendo, até agora, qualquer relevância no futebol internacional, a nível de clube ou da selecção, que mais-valias pode garantir a partir de um investimento de 70 milhões de euros, que expectativas pode gerar ao comprador?
Os próximos meses serão decisivos, particularmente ao serviço da selecção, para o preço de Bruno Fernandes poder dar esse salto da fasquia dos 30 milhões para a dos desejados 70, ou seja, superar a influência, as estatísticas e o carisma de Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva e João Félix e garantir num quadro de maior exigência os mesmos números e a eficácia que tem alcançado no Sporting. É um enorme desafio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 3/3





Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds