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A escolha de Jorge Silas para treinador do Sporting encerra muito mais ameaças e perigos do que  lógica e justificação. No fundo, é a entrega da organização ao estagiário, sem qualquer rede de segurança que lhe ampare o salto gigantesco, desafiando todas as boas práticas e fundamentos no recrutamento do quadro mais importante por uma empresa com orçamento na ordem dos 100 milhões de euros.

Uma espécie de all-in à beira da bancarrota.

Frederico Varandas pode vir a revelar o maior treinador português de todos os tempos, repetindo a ousadia de João Vale e Azevedo, quando descobriu José Mourinho e conduzia o Benfica à maior crise de sempre. Mas os factos indicam que apenas metade dessa história trágica deve repetir-se com este salto sem paraquedas no profundo abismo que é o futuro próximo do Sporting.

Silas vai, ao que dizem, acumular o cargo de treinador de um dos principais clubes com as aulas e trabalhos para casa do curso requerido para a função. O Sporting vai ter um trabalhador-estudante na posição mais importante do seu organograma futebolístico, contratando em simultâneo um profissional qualificado para fingir que é o verdadeiro treinador, enquanto as entidades oficiais (Federação, Liga, Sindicato) fecham os olhos ao contorno dos regulamentos.

Silas entra no Sporting como aquele filho do amigo do patrão que passa por cima de toda a gente num processo de recrutamento, num tempo em que currículo imaculado é suposto ser a única vantagem de qualquer profissional que queira subir na vida. 

Quantos treinadores com muito mais qualificações e provas dadas não estarão hoje a tentar perceber o que Silas apresenta para justificar esta aposta?

> Categoria? 

Foi um bom jogador de clubes secundários e terciários, quer a nível nacional, quer internacional, tendo como ponto mais alto a passagem pela União de Leiria de José Mourinho, que lhe valeu até três chamadas à selecção nacional. E foi campeão de Chipre em 2012!

> Experiência?

Vinte meses como treinador a fingir no Belenenses, arrostando a adversidade de uma equipa sem alma, sem adeptos e sem estádio nem infraestruturas, com as classificações de 12.º e de 9.º nos dois campeonatos. 

> Resultados?

Dezasseis vitórias em 66 jogos, uma percentagem de apenas 24% de triunfos, a mais baixa de sempre de um treinador contratado por um clube grande em Portugal ou na China.

> Estilo?

Passa por ser um treinador de ataque, ousado e criativo, mas foi quem registou o maior número de empates em toda a 1.ª Liga no período em que dirigiu o Belenenses, a partir do 0-0 com o Marítimo na partida de estreia em Janeiro de 2018. Gosta de jogar com 3 defesas e laterais adiantados, um dos raros treinadores portugueses a privilegiar este modelo.

> Marcas distintivas?

Ganhou ao Benfica de Rui Vitória e foi o único que não perdeu com o Benfica campeão de Bruno Lage na época passada. E perdeu três vezes com o Sporting, a última das quais por 1-8.

> Momento?

Foi despedido pelo Belenenses à 4.ª jornada da Liga, com apenas dois pontos conquistados e nenhum golo marcado.

Um ano depois de ninguém ter entendido a convicção do presidente do Sporting de que Marcel Keizer, também um treinador sem currículo nem experiência, seria o protagonista da mudança,  volta a ser apenas a convicção de Frederico Varandas a justificar a escolha de Silas. As probabilidades não são favoráveis, é uma aposta de alto risco, as consequências serão devastadoras.

A Lei de Murphy entranhou-se no ADN do Sporting, onde as apostas radicais sempre têm redundado no fracasso anunciado. Mas parece que não há volta a dar.

 

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CR7 Big Mac

20.09.19

Cristiano Ronaldo revela que só não passou fome nos seus primeiros anos em Lisboa, uma criança deslocada das origens madeirenses e da família, porque encontrou umas fadas-madrinhas que lhe ofereciam hambúrgueres de uma loja McDonalds que ele e os seus colegas rondavam à espreita de sobras.

Custa acreditar numa situação destas, realmente chocante. A formação do Sporting, que criou dois Bolas de Ouro da FIFA, não alimentava bem os seus pupilos e ainda deixava que se empanturrassem à margem de todas as boas práticas alimentares?

Imagino a conversa com o nutricionista antes do treino: 

  • Então Cristiano, comeste bem ontem? 
  • Sim, limpei três Big Macs que sobraram na loja da Edna.

Não gosto desta imagem da “formação” do Sporting, que já foi considerada a melhor do Mundo, e muito menos que uma marca nociva possa associar-se, ainda que indirectamente, a uma figura tão admirável.

Já temos a homenagem às empregadas que lhe consolavam o estômago, só falta agora vir essa fábrica de digestões difíceis vir também reivindicar o mérito do fast-food no  desenvolvimento saudável de uma criança mal nutrida até ao nível de super-atleta.

O melhor jogador do Mundo encetou nas últimas semanas uma operação de charme mediático, dando a conhecer o seu “lado humano”, mas há determinadas “memórias” que deviam morrer com os sujeitos ou, pelo menos, serem reservadas até quando já não fizerem estragos.

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Um dos momentos mais surpreendentes da minha vida de repórter no meio desportivo foi quando me vi a entrar no balneário dos Chicago Bulls poucos minutos após o final do jogo 2 das finais da NBA de 1991. Foi uma surpresa saber que aquela porta de balneário tinha de estar aberta aos jornalistas poucos minutos após o termo das partidas e que os jogadores, mesmo que se chamassem Michael Jordan ou Scotty Pippen, tinham de estar, alguns ainda molhados do duche e seminus, disponíveis para declarações, o que significava que tinham de estar já de cabeça fria e libertos da intensidade de uma final da competição desportiva mais exigente.

Dificilmente por lá, ao longo de mais de um século, terá algum jogador de primeira categoria dado uns pontapés na porta, uns socos no armário, ou atirado com uma bota ao treinador, pela falta de tempo e oportunidade fora da observação directa de fotógrafos ou cinegrafistas. Houvesse ainda um Nuno Ferrari, um António Capela ou um Formidável com acesso responsável às catacumbas do estádio do Bessa e, seguramente, o carpinteiro do Boavista não seria chamado esta semana a reparações de emergência.

Ver um jogador com a categoria e a responsabilidade de Bruno Fernandes ignorar o sistema de vigilância e a possibilidade de as respectivas imagens serem divulgadas contra a sua vontade por piratas da comunicação e a perpetuar-se nos arquivos da internet na pior cena da sua carreira levou-me exactamente ao cariz preventivo daquela medida antiga do Comissário da NBA, por cima dos interesses de privacidade das equipas, dos treinadores e dos jogadores.

Aquele cartaz no lado de dentro da porta, com letras garrafais a impor às equipas que ela se abrisse aos jornalistas acreditados até meia hora antes do jogo e 15 minutos depois do final, funcionava, há 30 anos, como um sistema de câmaras de vigilância e prevenção de maus comportamentos. Ainda hoje estas regras existem, adaptadas aos novos tempos (mais jornalistas, mais tecnologia), mas sempre em defesa do princípio: quanto maior for a partilha de conhecimento, melhor será a imagem do jogo e da organização.

Mas a NBA, sempre evocada como exemplo a seguir pelos arrivistas do nosso desporto que se anunciam como dirigentes inovadores, nunca é copiada no que tem de melhor, a comunicação e a transparência. Enquanto as organizações do desporto profissional norte-americano se baseiam no escrutínio permanente, enfrentando todos os perigos com frontalidade, as nossas organizações fecharam-se, blindaram-se, têm medo de exposição e acabam por viver apavoradas pela iminência do incidente seguinte, constituindo um maná para quem vive da exploração de escândalos.

Em Portugal, a influência das agências de comunicação com as suas práticas desviantes de gestão da informação, propagação de notícias falsas e controlo de danos, está na origem do distanciamento cada vez maior entre os protagonistas do espectáculo desportivo e os media - e, por consequência, o público, ao qual apenas resta a dúvida metódica ou a crença cega, que tudo condenam ou tudo desculpam em função do clube amado.

Podemos imaginar que aquelas portas do estádio do Bessa já foram substituídas várias vezes, mas só nos vamos lembrar da fúria de Bruno Fernandes, de pouco servindo que a comunicação do Sporting ainda tenha tido 48 horas para nos preparar para o que aí vinha, com aquela emotiva campanha do massacre sofrido no relvado, das faltas não assinaladas e da perseguição do árbitro Jorge Sousa, a quem todos podemos ver hoje no lugar de uma porta bruta - um “spin” quase perfeito.

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