Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]





Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds



Com a declaração de defesa intransigente da ética desportiva e de “liderança na luta contra as artimanhas do Benfica” por parte do presidente do FC Porto, foi dado o pontapé de saída para o julgamento político do caso dos emails. Deu-se o upgrade há muito esperado, com o grande líder a ocupar o espaço do idiota útil, o pastor a tomar o lugar do cão-de-fila.

Pinto da Costa pressentiu o esgotamento da “fórmula Jota” e, sobretudo, ficou alarmado com o desaparecimento em combate do esforçado Bruno de Carvalho, cujo substituto não parece capaz de chafurdar tão bem neste chiqueiro.

O sentido político a reter deste novo posicionamento é o recado que passa aos outros agentes do futebol, há meses e meses a assobiar para o lado, como se o assunto não lhes dissesse respeito.

Pinto da Costa abriu um debate a que não podem continuar a fugir a Federação, a Liga, todos os outros clubes profissionais, seus dirigentes e figuras de proa, até os patrocinadores e parceiros institucionais. Nem, claro, os directores dos órgãos de comunicação social que se colocaram no papel fácil de publicar ou não publicar, segundo critérios confusos com que apenas procuram andar à chuva sem se encharcarem, trocando o trabalho de campo sério e responsável por sessões contínuas de ruído para trogloditas.

Quando um jornal repete a primeira página de há meses, com o chamariz da prostituição, sem qualquer dado novo, é como se a lama tivesse secado e se transformasse em pó, muito mais fácil de limpar e sacudir para longe. É como se o assunto estivesse a esgotar-se e já só existisse na cabeça de editores desesperados com as perdas de vendas e dependentes do lado pavloviano das suas audiências.

Paralelamente à receita infalível da tia matrafona - futebol, corrupção e sexo -, há indivíduos citados na correspondência pirateada do Benfica há mais de um ano que nunca foram confrontados por jornalistas. E isto envergonha quem tenha sido educado numa cultura de contraditório e tenha lido jornais do século passado.

Cabe à imprensa ir ao encontro de todos aqueles agentes, a maioria silenciosa do futebol, que têm de posicionar-se, a bem da transparência da indústria e da verdade desportiva. Não por uma questão de justiça, a qual há-de fazer o seu trajecto autónomo, mas por necessidade de reconhecimento e esclarecimento de uma opinião pública por ora dividida, de forma doentia, como água e azeite.

Pinto da Costa falou, os outros estão agora “autorizados” a falar também.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um jornal online noticia que o arguido Paulo Gonçalves sugeriu ao presidente da Liga, na altura, Mário Figueiredo, dois nomes para desempenharem a função de delegados em determinado jogo do Benfica, a final da Taça da Liga de 2013-14.

Pela primeira vez, ao fim de triliões de emails, vejo chegar à frontpage da imprensa desportiva um caso concreto com eventual influência no decorrer de uma competição, ainda que sem correspondência a notícias de corrupção activa nem passiva. Ainda não é um árbitro comprado, ainda não existe denúncia de subornos aos indivíduos citados, mas dois delegados ao jogo já representam qualquer coisa de palpável a justificar um “inbestigue-se”.

Quando começo a ler a notícia parto do principio que a sugestão do ex-assessor jurídico do Benfica foi bem acolhida e que o escândalo ocorreu.

Estou admirado por não ser manchete da publicação, situando-se no scroll abaixo da expulsão de Cristiano Ronaldo, das negociações do Sporting com Gelson e Patrício e até de um protesto de um jogador de uma equipa sub-23 às parvoíces de Cristina Ferreira.

No segundo parágrafo, ainda leio informação significativa, quase diria comprometedora, sobre a resposta do presidente da Liga, da altura, a dizer que tomou a “devida nota” do pedido.

Salto a publicidade, carrego no botão “continuar a ler” e chego ao terceiro parágrafo, onde há um “refira-se que” a lembrar que os delegados realmente de serviço nesse jogo foram outros dois e nenhum dos sugeridos pelo ex-assessor benfiquista no seu email criminoso.

A sério?

Aqui ao lado, alguém me diz que Paulo Gonçalves comunicava por código e que os dois nomes que referiu não correspondiam aos próprios, mas sim aos que foram efectivamente nomeados pela Liga.

No entanto, o jornal omite este pormenor e acaba por passar a ideia contrária, de que na realidade a Liga escarnecia das sugestões do Benfica e que o “tomei a devida nota” do então presidente era também uma frase em código, correspondente a “Arquivo Geral”, vulgo lixo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Renato e James

20.09.18

Estou a ver Renato Sanches marcar um golo pelo Bayern no estádio José Alvalade ao Sporting e James Rodriguez ser substituído na equipa alemã num jogo no estádio Dragão frente ao FC Porto. Certamente, o jovem ex-jogador do Benfica seria apupado e insultado e o colombiano receberia uma estrondosa ovação.

O que aconteceu ontem no estádio da Luz, com a calorosa recepção a Sanches e o xinfrim da despedida de James, não teve nada de extraordinário, agora que se desenvolveu este sentimento de pertença eterna dos jogadores que foram “nossos” e que se tornaram emigrantes de sucesso.

Com sensivelmente a mesma idade de Renato, no mesmo local, mas com a camisola do Manchester United, Cristiano Ronaldo mostrou o dedo do meio aos adeptos que tinham sido “pouco simpáticos”, mas nos 13 anos seguintes, sobretudo quando lá actuou com a camisola de Portugal, foi acarinhado e aplaudido sem reservas.

Tenho agora curiosidade em ver Rui Patrício e William Carvalho regressarem ao estádio do Sporting, seja por outro clube seja pela selecção nacional e acredito, pelo mesmo sentido de posse, que, no fim, prevalecerão o bom senso e a identidade.

As reações dos adeptos, sobretudo quando em massa, são irracionais e sempre exageradas, para o bem ou para o mal, consoante o estado de espírito e as condições ambientais. Por exemplo, tenho a certeza de que muitos benfiquistas que ontem insultaram James Rodriguez não hesitariam em pedir-lhe um autógrafo se o encontrassem por acaso na rua ou em território neutro, desde que não se estivessem em grupo, evidentemente. Penso o mesmo sobre os que há pouco tempo desconsideravam Renato Sanches pela cor da pele e pelo porte atlético adulto.

Uma bancada de estádio é um mosaico social onde cabem todos. Os que só insultam o árbitro, os que só insultam o árbitro e os adversários e os que insultam toda a gente: é o muro da lapidação dos nossos tempos, onde todos são livres de atirar pedras. É, como diria o filósofo, isto mesmo, o futebol.

Autoria e outros dados (tags, etc)





Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds