Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]





Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds



Fernando Santos deixou-se levar pela excelente época de Gonçalo Guedes em Valência e pelas boas indicações dos jogos de preparação para desfazer a dúvida sobre quem devia acompanhar Cristiano Ronaldo na frente de ataque, deixando de fora André Silva que, pelo contrário, estava a terminar a pior época da carreira, sem conseguir impor-se em Milão. Fez sentido a decisão, apesar do excelente entendimento que o ex-portista alcançou com Cristiano Ronaldo traduzida numa média de golos próxima dos recordes de Pauleta (um golo pelo menos a cada dois jogos).

O facto de o primeiro adversário ser a Espanha também pesou, pelo conhecimento de Guedes após uma época na Liga e, sobretudo, pela necessidade de um plano de jogo mais conservador e mais virado para o ataque rápido.

Esta ideia não atingiu o rendimento esperado, falhando quase por completo frente a Marrocos, por falta de intensidade ofensiva geral, e André Silva regressou frente ao Irão, acompanhado de Quaresma, num reconhecimento de que a necessidade de defender e manter a organização também arruinou as esperanças de que Bernardo Silva, no flanco direito, pudesse ser o desequilibrador do Manchester City, onde beneficia de um espaço de trabalho mais reduzido.

Nem Bernardo Silva está talhado para tanto trabalho contínuo, que implica perda da frescura física que assegura as suas acções repentinas e o equilíbrio necessário nos momentos a seguir ao drible em que define os lances - em dois jogos a titular fez apenas um drible e sete desarmes, absolutamente o contrário do que seria expectável e normal.

Nem Gonçalo Guedes está talhado para percorrer longos espaços sem o apoio de um avançado de referência que o ajude nos últimos 20 metros - ficando-se por uma única situação de cara a cara com o guarda-redes, lançado por Cristiano, em contraste com as dezenas em que esteve envolvido no campeonato espanhol.

Nem André Silva consegue oferecer, de momento, uma contundência ofensiva que permita pensar que os golos de Portugal passem pelos seus pés. Não a este nível, pelo menos.

Frente ao Uruguai e uma dificuldade previsível semelhante à Espanha, Fernando Santos poderia estar tentado a voltar ao esquema do primeiro jogo, com quatro médios, embora com Adrien em vez de Bruno Fernandes e João Mário no lugar de Bernardo, o que aumenta a coesão de um sector que ainda não deu à equipa o que ela precisa na fase de chegar rapidamente à entrada da área. O Uruguai tem uma defesa mais firme e dura que a Espanha, mas tem igualmente um meio-campo com dificuldade de apoiar de perto os dois fantásticos pontas-de-lança, o que motivou mudanças significativas no terceiro jogo, com o adiantamento de Bentancour. 

Tudo pesado, a juventude versus a experiência, a dificuldade versus a confiança, poderíamos ter frente ao Uruguai, além de uma superioridade a meio-campo, até em número de jogadores do núcleo central, o regresso a um ataque cirúrgico e eficiente, apenas com os dois mais velhos, Cristiano e Quaresma.

Bernardo, Gonçalo, André (e Bruno Fernandes) são o futuro, mas este Mundial é o presente. Em função do que se tem visto, a minha equipa seria:

Rui Patrício

Cedric, Pepe, Fonte e Guerreiro

Adrien, William Carvalho, Moutinho e João Mário

Quaresma e Cristiano 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A lembrança mais antiga que tenho de William Carvalho é da sua primeira época no Sporting, quando ainda trabalhava e via os jogos mais de perto. Lembro-me de um jogador com condições físicas raras, mas algo displicente na abordagem dos lances e que em quase todos os jogos cometia um erro grave e ficava a dever a si próprio algumas oportunidades de chegar perto do golo, particularmente em lances aéreos, desde logo um contraste com as tarefas de médio de ataque a que estava habituado. Leonardo Jardim, que era o treinador na altura, recuou-o no terreno, preferindo os seus pés de lã e visão de jogo à impulsividade e desatino do argentino Rinaudo, e arranjando-lhe colocação influente nos lances de bola parada: várias assistências e, até, golos de cabeça, embora sem continuidade depois da mudança de treinador. Jardim colocou-o na posição certa, mas não teve tempo de lhe dar essa dimensão extra de médio defensivo com capacidade de chegar à frente e fazer golos que, cinco anos depois, continua a ser o seu grande handicap para não justificar o interesse real de um grande clube europeu.

Os anos passaram, chegou Jorge Jesus e William Carvalho continuou sempre como jogador-chave do Sporting, apesar de a irregularidade física ter atraído sobre si uma enorme cobrança e o rótulo de jogador lento. A afirmação de Danilo na selecção acabou também por fazer diminuir o número de membros do clube de fãs de William Carvalho que ficou agora à beira de fechar as portas pela impopularidade da rescisão unilateral de contrato. 

Técnica e tacticamente e pelo estilo das suas acções, William faz-me lembrar Sheu Han, o grande capitão do Benfica de há 35 anos. Dizia-se que tinha pés de veludo e atitude de príncipe, em contraste com uma eficácia impar na recuperação, controlo e distribuição da bola.

No Mundial da Rússia, o trabalho de William Carvalho tem sido assim: os que mais dão por ele são os que se exasperam com o estilo, mas também os treinadores adversários que têm apostado, sem sucesso, em exercer grande pressão sobre o seu espaço, como fez Carlos Queiroz, com uma marcação individual. 

Nem interessa referir que é o jogador que mais quilómetros percorreu até agora e que alguns piques a 30 à hora o colocam entre os mais velozes da competição. Se observarmos bem, na sua zona de acção, a toda a largura do terreno e até aos últimos 30 metros (uma área imensa em latitude e longitude) ele aparece sempre a menos de 20 metros da bola, fazendo-a girar ao ritmo da equipa com uma simplicidade que se confunde com lentidão. Regista uma percentagem de acerto de passes muito superior à média da equipa, já fez dois passes-chave e um número considerável de passes longos também certos (15 em 21). E teve apenas uma perda de bola em três jogos de um campeonato do Mundo, bem menos do que os quatro desarmes de recuperação conseguidos.

Na primeira fase, em percepção do jogo e nas estatísticas, considero que só perdeu para o francês Kanté e para o rei do desarme, o brasileiro Casemiro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O estranho penalti de Cedric, no Portugal-Irão, foi o último assinalado após intervenção do VAR, ao recomendar ao árbitro que revisse a sua decisão inicial de nada marcar. Essa foi a décima chamada ao visionamento do video-árbitro em lances de grande penalidade, das quais somente uma tinha sido revertida, por flagrante simulação de Neymar no Brasil-Costa Rica.

Mas depois do lance que fez Portugal perder o primeiro lugar no grupo, mais nenhum pênalti foi assinalado no VAR. Pelo contrário, são já quatro decisões revertidas consecutivamente, a última das quais no Senegal-Colômbia de hoje, em que o árbitro Mazic tinha começado por ver uma falta de Sanchez sobre Mane num lance já considerado o melhor desarme do Mundial.

Portanto, de 9-1 em penaltis marcados em chamadas ao VAR nos primeiros doze dias do campeonato, passámos para 0-4 nas últimas três jornadas da fase de grupos.

Na perspectiva dos jogadores e equipas em falta, o que começou por ser ansiedade e pânico de cada vez que o árbitro era chamado ao ecrã, transformou-se agora em enorme alivio perante a expectativa de a penalidade ser revertida. E não pelos melhores motivos: pelo menos dois dos penaltis não confirmados, a mão de Rojo no Argentina-Nigéria e a mão de Chicharito Hernandez no México-Suécia, teriam sido confirmados segundo os critérios seguidos até ao pênalti de Cedric.

A segunda fase confirmará esta tendência, mas dificilmente não seria uma situação problemática e controversa, considerando que a maioria dos árbitros nunca tinha lidado com o VAR e está a fazer em pleno Mundial um curso intensivo de aperfeiçoamento.

Autoria e outros dados (tags, etc)





Comentários recentes

  • JQM

    Obrigado pela questão. Cristiano Ronaldo é um ídol...

  • Anónimo

    Se é a verdade porque é que essas memórias deviam ...

  • Jaime Palha

    Lúcido, como sempre. Parabéns.

  • atitopoteu

    A fina ironia, a insídia e a chico-espertice do me...

  • Anónimo

    Venham penáltis, que o rapaz repete a época passad...



subscrever feeds