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J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

J Q M

Fui jornalista, estive em todo o tipo de competições desportivas ao longo de mais de 30 anos e realizei o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Agora, continuo a observar o Desporto e conto histórias.

“Colored” e “olhos em bico” foram duas expressões que aprendi em 1966, por altura do histórico Eusébio versus Coreia do Norte. Eram usadas nos jornais que me ensinaram a ler, sobretudo o Diário Popular, como compreensíveis e lógicas, carinhosas até, sem vislumbre de xenofobia ou ódio. Era o “velho normal”. Dos coreanos, dizia-se meio a brincar, meio a sério, que eram todos iguais, que todos se chamavam Park qualquer coisa, que talvez tivessem substituído os onze da (...)
Se a etimologia gótica do nome Fernando [Fardi+Nand] estiver certa e realmente significar “pronto para a viagem”, como me diz a sábia internet, terei desvendado o mistério da ousadia do sócio-gerente da FEMACOSA ao propor-se, com a benção de todos os Santos, só regressar a casa depois da final do Mundial, como já fez no Europeu de 2016. Os Fernandos heróicos ocupam um lugar especial no coração dos portugueses. Fernando de Bulhões, o Santo António de Lisboa, D. Fernando I, (...)
“A seleção de Portugal é como a tourada à portuguesa: não mata o touro, apenas o humilha”. Esta frase tem quase 40 anos, foi escrita no ‘L’Équipe por Victor Sinet, o jornalista que eu gostava de ter sido, e manteve-se atual ao longo de décadas de sol e sombras, “pasodobles” e voltas à arena, mas também muitas broncas e lenços brancos à espanhola, a adiar sempre a estocada final para futuras praças e feiras. No futebol, para ouvir música, também não basta (...)
Ainda mal refeito das inesperadas exibições de Antoine Griezmann como “meneur” de jogo da França, entre dois médios de cobertura e três avançados a ser o melhor jogador da primeira semana do Mundial, apareceu-me Bernardo Silva a revelar que o seleccionador lhe dá autonomia para actuar onde e como entender. As minhas primeiras reações foram de não acreditar numa coisa nem noutra. Mas, de facto, Griezmann assumiu com mestria uma posição de diretor de jogo dos campeões do (...)
  Se ninguém pode esperar que algum jogador faça 9 dribles, 9 cruzamentos ou 9 remates num jogo, também não devia ser possível, nem admissível, que sofra 9 faltas ríspidas em 79 minutos, como aconteceu a Neymar no jogo de estreia do Mundial, perseguido pelas gárgulas da Sérvia.Da dureza de uma “falta necessária” - como a justificou o novo inimigo público n.º 1 dos brasileiros, Nemanja Gudelj - resultou uma entorse grave nos ligamentos do tornozelo que o afasta das (...)
Ver Carlos Queiroz atirado ao ar pelos jogadores do Irão, glorificado como herói “globetrotter” de uma causa que mobiliza todo o mundo, é mais um marco no processo de afirmação dos treinadores portugueses. E consegui-lo como resgate de um regime menor no futebol, pária da ordem internacional e repressor dos direitos humanos, é ainda mais admirável, exaltando o seu inconformismo de guerreiro quixotesco. Ao vê-lo enfrentar olhos nos olhos a hipocrisia da BBC, que elegeu por (...)
Esta relação dos portugueses com cada jogo da seleção da FEMACOSA lembra o envelhecimento de um namoro apaixonado, que precisa de se revigorar: o amor está lá, em fundo, incondicional, mas os arrufos são constantes e acabam por provocar o desgaste que adia sempre para o próximo jogo a noite perfeita e memorável. Ai, que bem defende o Diogo Costa. Bolas, meu rico Rui Patrício. Este João Cancelo é o lateral mais perfeito do Mundo. Caramba, mas ao Diogo Dalot não há medo que assuste. (...)
24 Nov, 2022

Arigato, Alemanha

Agarrem-me, que eu sou um émulo compulsivo dos lugares-comuns da linguagem da bola e recuso-me a repetir aquele chavão que todos conhecem, inventado após a agónica meia-final de Turim, em 1990, por Gary Lineker, um excepcional jogador que se tornou ainda melhor jornalista. Não vou dizer a tal frase que o mundo repetiu triliões de vezes nas últimas horas porque até desconfio que os alemães nem sequer têm, desta vez, os onze jogadores que são precisos para concretizar a (...)
  Não é por causa de um jogo que a ordem futebolística mundial vira do avesso, mas a vitória da Arábia Saudita sobre a Argentina será vista no futuro como um ponto de mudança, o marco para um a.C. e um d.C., o antes do Catar e o depois do Catar. A Arábia Saudita nunca será uma grande potência futebolística, mas deveremos passar a vê-la como uma fonte inesgotável de dinheiro a financiar a visão de conquistar politicamente o mundo (também) através do Desporto.Está em marcha (...)
Ronaldo ou Messi? Se a ideia é definir o melhor do Mundo num jogo de Xadrez como o do anúncio da Ferrari das malas, saibamos que aquela disposição das peças, mesmo sobre um tabuleiro irregular com 9 colunas, era de empate, sem saída para chegar ao xeque-mate sugerido por um caçador de “sound bytes” na conferência de imprensa a que o português se apresentou de surpresa. A marca de acessórios preferida dos patos-bravos da bola realizou um genial golpe de “ambush marketing” (...)